Fazendo política bem no meio da rua, na moral

E os poetas modernos?

– Eu é que pergunto. E os poetas modernos?

– A incomunicabilidade deles…

– Que que tem?

– É um refúgio, é uma defesa contra o mundo? Contra esse mundo malvado? Ou é uma forma tentar se elevar acima do humano?

– Ou abaixo?

– Olha bem: pra quê criar uma língua própria, uma linguagem que já nem sequer aspira a ser coletiva?

– Tipo, pra quê publicar um poema se tu não quer falar aos humanos?

– É. Aham. Isso.

– Sei lá. Acho que o que tu ta dizendo é que o poeta moderno monologa, eternamente. Não é isso? Ele cria um desvio tão grande na linguagem que esta só pode ser corretamente interpretada a partir de dados internos, provindos dela mesma. É uma língua pessoal.

– Beh, imagem grosseira

– Wasteland termina assim: da da da da da. Agora, isso é grosseiro. E bem óbvio. Que tal “Lingua privativa”?

– Mais perto do banheiro. Será que os poetas estão tentando acumular alguma forma de poder criando um código pessoal?

– Claro que sim. Quem não tá?

– Mas ai é que tá. – coisa mesquinha essa desses grandes poetas…

-“Filhos de Orfeu”…

– …é… de resumir a humanidade à eles

– Ou de tentar achar a humanidade neles. Mas quem se importa com a humanidade deles?

– Fora eles?

– É.

– Nós.

– Nós não, tu.

– Bom, tu também ta falando no assunto, né? Há horas. E desenvolvendo…

– Mas é que eu, bicho, na real, sou tu.

– Ah, é. Tinha me esquecido. ¿Eu sou nós ou nós sou eu?

– Esquizóide.

– Poeta.

– Inferno, inferno…

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